segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A Coragem!

Onde está quando se precisa dela?
Eu não tenho. Ou tenho?
Que aparência tem?
Qual teu tamanho?
Que cor se identifica?
Com certeza não deve ser amarela.
Ela é forte?
É bonita?
É destemida ou a coragem tem medo?
Tem prazo de validade?
Tem sabor?
Tem sentimento?
Se tiver é cruel ou extremamente pacífica?
Parece bipolar!
Tem inimigos?
A coragem se arrepende?
Ela entende a gente?
A coragem sabe nadar?
A coragem sabe ler ou é burra demais?
A gente ganha ou conquista ela?
Tem paciência essa tal coragem?
Já pediu arrego alguma vez?
É religiosa?
Acho que essa tal coragem não é desse planeta.
Você tem coragem?
Por quê? Aonde conseguiu?
Empresta-me um pouco?
Não tem ou tem?
Enfim...

Diga que preciso conversar com ela, se você a vir!


sábado, 25 de novembro de 2017

Me Faz Bem

Isso é só um blog, mas como isso me faz bem!
Isso é sobre tudo, entretanto parece dizer uma só coisa.
Manifesta-se até de forma chula, mas para mim nada se perde.
Tem aparência desprezível - às vezes, porque de fato a gente não consegue abraçar ou agradar de tudo.
Muita coisa que está escrita é só uma casca. O conteúdo verdadeiro está dentro. Quem não conhece um abacaxi (se é que isso seja possível) pode até desprezá-lo pela aparência da sua casca, mas o sabor interior faz com que a lembrança da casca desapareça, pois seu interior é muito mais do que a casca apresenta.
Isso levou muito tempo pra chegar até aqui, contudo cada momento teve seu valor e não me desfiz de nenhum deles; nem mesmo os que tentei esquecer.
Pra mim tem sentido terapêutico. Não está aqui para reprimir minha necessidade de terapia, mas exercitar para não atrofiar.
Isso aqui praticamente não tem plateia, mas mesmo assim sempre esteve no palco. Nem sempre foi aplaudido, pois as mãos que o poderiam fazer estão sempre muito ocupadas. Talvez com a pipoca.
Sim, isso aqui não tem nada a oferecer. Também pudera! Só pessoalmente poderia entregar.
Isso aqui lamenta quando chega o fim da leitura de cada post e nenhum sorriso foi possível. Minhas desculpas!
Isso aqui não é o que a vida tem de melhor, mas é uma das melhores coisas que a vida trouxe pra mim.

Então, à você blog dedico meu hoje.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Tudo que Fica

O dia amanhece e para trás há uma noite que se esquece
O trabalho que chama incessantemente para mais um dia de stress.
Ainda ouço  na noite que ficou as batidas do coração que palpitava
Exatamente o que o pensamento desejava
Enquanto todos dormiam o sono não vinha
Só as lembranças faziam companhia:
Correria
Noite vazia
Ouço também como sorria
Até barulhos de tiro se ouvia
Nada demais
Só os manos que fugiam

Eu quis gritar “corram”
Mas o senso de hipocrisia me detinha
Também fugi como se não quisesse ser apanhado
Medo das grades?
Ou declarar que era covarde?

Noite, minha noite!
Que de muita coisa me escondeste
Ouça de novo meu grito
Mostre-me de novo o sorriso
Que na minha eternizo

Foge de mim como se fosse fácil
Noite que não resiste o dia que chega
Volte no mesmo horário que te espero
E estarei lá com as lembranças que quero
Até que amanheça de novo

Com as palavras que desagradam o “povo”!!

rico#

terça-feira, 8 de agosto de 2017

;)

Um dia eu parei para conversar comigo um pouco.
Estava agitado, com tantos compromissos para dar conta que não quis me ouvir e um eu ficou no lugar feito estátua falando, enquanto o outro continuava a mover-se muito rápido fingindo que entendia tudo, apesar de cuidar de tantas coisas ao mesmo tempo.
Um Eu falava e o outro gesticulava que ouvia;
O Eu que falava não se dava conta que o outro nada dizia;
O Eu que mudo ficava tinha melhores palavras que o primeiro falante insistia.
O Eu que calava invejava as palavras do falante que se exibia
O Falante falava demais, mas nunca bastava para explicar o que queria.
Queria muita coisa, mas coisas simples complicavam as muitas vontades que suas palavras diziam.
Disse tanto;
Ocultou tanto;
Gesticulou muitíssimo no espaço só, que os dois discutiam.
O espaço estreitou e empurrou os dois para outra dimensão,
Aonde até hoje predomina a mesma discussão de um eu só,
Enquanto na ausência de palavras do outro, o falante sente a consequência das que sobram e terminam como pó.
...

®i©o
Ü

sábado, 6 de maio de 2017

Nostalgia

Às vezes não me entendo.
Sinceramente não me entendo.
Eu juro que gostaria de ser diferente; gostaria de ser mais forte.
Eu juro que me esforço e sempre estou tentando me convencer que eu posso ou vou conseguir.

Tem dia que parece que estou chegando lá; outros dias me pego lembrando de tanta coisa. É aí que percebo o quanto sou frágil, fraco, simples, medroso, temerário, e por que não dizer "covarde"?

Sim, estou no divã. Estou quase em pânico, por assim dizer. A nostalgia tem batido com muita força e talvez isso explica porque estou sempre no chão; sempre me levantando; sempre pensando que estou livre. Mas a porta, o portão e a rua estão abertos e não consigo sair. O carro na garagem me convida e a chave se encontra na ignição, mas não me movo do lugar. Minha moto, com o guidom voltado para o lado, dá um tom triste ao mirar em direção ao chão; quase me comove e o pior: tenho dois capacetes, tenho cilindradas o suficiente para ir tão longe, tenho o dinheiro, tenho o tempo... inclusive tenho até ideia de onde eu poderia ir. Entretanto, vou com quem?Aqui está a nostalgia; exatamente aqui.

Minha impotência zomba de mim; bate na face e deixa marcas, como sempre, marcas de vontade que tem de despertar-me. Mas quando penso em reagir, percebo que não dá mais; é tudo em vão. Então, o conflito. O conflito traz a lembrança, que traz a saudade, que traz a nostalgia, que traz a saudade, que traz a covardia e tornam minha força como um fio de cabelo amarrado em tudo isso e eu tentando arrastá-los enquanto sigo meus passos - isso quando ando.

O resultado é mais que óbvio: no primeiro passo o fio se arrebenta e tudo vai ficando pra trás. O que eu faço? Pego novamente o fio, amarro de novo e lá vou eu tentando carregar tudo isso. Então se arrebenta novamente e algumas vezes - como agora - estou no chão outra vez. O que vou fazer? Me levantar, como sempre faço.

O que prevejo é o que se passou, pois sempre se repete: eu me levanto, caminho um tempo sem tudo isso amarrado em mim, mas acabo voltando ao mesmo lugar tempos depois e, pego novamente o fio, amarro nas costas e começo arrastar, pois não quero deixar isso pra trás. Contudo, o fio se arrebenta de novo e o processo recomeça.

Por mais que eu tente, acabo voltando ao mesmo lugar, às mesmas lembranças, ao mesmo cheiro, ao mesmo perfume, à mesma música, ... Dio Santo! Voglio meglio per me... 

O perfume ainda é como tinta fresca.

Mas aqui vou eu caminhar mais um pouco. Quem sabe um dia o capacete que sobra será usado?

Certas imagens estão a um fechar de olhos de distância. Então não me peça para abrir os olhos, não agora, por favor!


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Tagarelice!

Não vou deixar a tagarelice roubar minhas palavras.
Não permitirei minha gula trazer pesadelos
Farei menos esforço para entender o mundo

Brincando sério, me afastei do riso
Agora surto com minha sobriedade
E a insanidade para mim ficou no desuso

Me tornei altruísta
E em troca recebi descaso
Sem problemas; minha vida planejei a longo prazo

Falarei o necessário?
Não vou mais ligar pro horário
Que teima em forçar-me a ser tão certinho

Percebo a tagarelice se aproximando
Ao passado e futuro em divagações me levando
Ao perscrutar meus pensamentos estranhos

...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Ainda Eu...

Sim, ainda estou aqui.
Quase não me encontrei em meio aos meus próprios desencontros.
Certo de que você também me procurava.
Então, você me achou de novo.
Eu me perdi de mim, e tirei os olhos de você.
Será que tirei mesmo?

Mas ainda estou aqui...
A paciência do meu ódio me deixa nervoso;
A passividade das minhas urgências me deprimem.
As minhas brincadeiras já não me levam mais a sério
E isso se torna um problema quando tento sério brincar de novo.
Paro ou continuo?

Eu aqui... ainda e
Minhas lágrimas riem quando caem
E sua queda, de engraçadas me doem.
Minha dor se esvai como a lágrima que cai
Mas não ri nenhum pouco quando dos olhos saem.
Pareço ter o controle?



terça-feira, 28 de junho de 2016

Correspondência

Escrito sobre carne que forma e sustenta o envólucro
Foi destinado somente àqueles que sabem ler.
Mas extravios acontecem.
A demora foi considerável
Para perceber que não encontraria o endereço.
Passou dias nas mãos do carteiro que, sem sucesso,
Pensou em devolver ao remetente.

Mas a tentação foi maior que o dever de devolução.
Sem pensar nas consequências,
Rompe-se o envelope
Depara-se com letras garrafais
Escritas com sangue.
Entretanto, eram palavras difíceis de entender
E no caso do carteiro, impossível.

Com a matéria-prima perecível na mão,
Percebeu que a violação da correspondência
Lhe tornava réu, por justíssima causa.
Temendo o julgamento e condenação,
Procurava quem pudesse ler
Para saber o grau de complexidade
Nas palavras que  em carne viva
Teimavam em nada responder-lhe
O que estava escrito naquele coração.

Pôs de volta no envelope rasgado
E com o endereço quase danificado.
Selou-o novamente sobre a fissura
Que não continha o sangue que minava
Das letras que para ele nada falavam
E misturou-a entre as outras cartas
Mui brancas em seus envelopes selados

Entretanto, o sangue salpicou-as todas;
Qualquer que muito perto lhe encostava
Sua marca ali ficava.
Agora seu crime produzira evidências incontestáveis
E seu coração sangrou de remorso
Por se tornar criminoso a troco de nada.

Arrancou-lhe o próprio coração,
Escreveu nele em letras semelhantes em formato
Mas com palavras, que na sua língua revelava seu ato.
Nomeou-se como remetente,
Selou novamente o envelope, agora em outro envólucro
E despachou novamente
Sem saber ao certo se chegaria de volta
Ao verdadeiro remetente.

®ico






quarta-feira, 27 de abril de 2016

VERTIGEM

Acima de nós, as constelações;
Abaixo de nós algumas estrelas cadentes;
Alguns zilhões de distância entre uma coisa e outra.
No repente, uma estrela morre.
Quem se importa? Afinal, olha quantas sobraram!
Olhei ao lado, mas eu estava só.
Falava sozinho!
Vejo-as nas noites, longe dos tumultos.
Só eu as vejo.
Suspenso, à deriva nesse universo escuro,
Acreditando que posso ainda chegar até à luz daquela que mais brilha,
Vou sem me importar com a distância.
Sim, vou pousado em um meteoro,
Rasgando o vácuo.
Não adianta gritar daqui, não se propaga.
Entretanto o clarão parece ficar mais perto
A cada vez que o contemplo, desejando chegar,
A distância parece diminuir.
Daqui não há céu;
Não há terra;
Só o infinito que me cativa,
Motiva e me leva
Através das galaxias.

sábado, 9 de abril de 2016

Pudor

Certas palavras nos dão a impressão de que voam, ao saírem da boca.
"Sílfide", por exemplo.
É dizer "Sílfide" e ficar vendo suas evoluções no ar, como as de uma borboleta.
Não tem nada a ver com o que a palavra significa.
"Sílfide", eu sei, é o feminino de "silfo", o espírito do ar, e quer mesmo dizer uma coisa diáfana, leve, borboleteante.
Mas experimente dizer "silfo".
Não voou, certo?
Ao contrário da sua mulher, "silfo" não voa.
Tem o alcance máximo de uma cuspida.
"Silfo", zupt, plof.
A própria palavra "borboleta" não voa, ou voa mal.
Bate as asas, tenta se manter aérea mas choca-se contra a parede.
Sempre achei que a palavra mais bonita da língua portuguesa é "sobrancelha".
Esta não voa mas paira no ar, como a neblina das manhãs até ser desmanchada pelo sol.
...

Luís Fernando Veríssimo