quarta-feira, 4 de julho de 2018

Grito


Aqui eu posso gritar.
Sinto-me no deserto ou na selva.
De qualquer maneira, sempre rodeado de feras.
O tempo todo correndo riscos...
Riscos que sempre marcaram a pele e a alma.
Não se apagaram, mas não podem ser mais lidos.
Riscos e rabiscos formaram letras
Letras que juntas constituíram palavras
Que unidas a uma frase compuseram textos
E ao serem lidos não se corre mais riscos...
São inofensivos, não mais causam dor.

Ainda há quem diga que ‘palavras o vento leva’
Pode ser que sim.
Ele sempre sopra por aqui e nem sempre é brisa
Já passou como tempestade
Raios que me atingiram frontalmente.
Os ventos levam, mas trazem a mim de volta.
Ventos são bons...
Palavras é que nem sempre favorecem.
Pois elas despertam as feras
Que trazem novos riscos
Produzindo diálogos
Que não fazem mais sentido;
Textos que não mais dizem tudo;

Mas aqui ainda é um lugar em que posso gritar
Um grito pode ser de socorro
Ou pode ser de conquista
Ainda,
Pode ser que o grito também não possa ser lido!

®'©J

Quanto Tempo dura os Sonhos?

Quanto tempo dura os sonhos? Explique-me.
Como pode “o vídeo” ficar guardada por tanto tempo?
Em que compartimento cerebral estava escondido?
Assim do nada, de repente...
E ‘Voilà tout ce que je sais pour l'instant !’

O riso inevitável, a piada sem graça que contei...
O cheiro ainda é o mesmo, e eu deslocado
Não sabia exatamente como administrar,

Com certeza o sonho não durou o tempo correto
Acordei sem que o ‘vídeo’ chegasse ao final,
Entretanto continuei a visualizá-lo com olhos abertos.

Que bobagem!
Parecia tão engraçado,
Mas talvez pareça ridículo.
Era pra ser tão feliz,
Mas tem um tom de tristeza.

Não há mais sono.
O sonho acabou.
Já não há mais noite.

®'©J

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Piegas minhas


Chora o bebê desafinado
Afinando seus gritos em direção à mamadeira.
Levanta o pai aflito
Acalentando o menino no berço
Sem paga e sem preço
Para vê-lo dormir a noite inteira.
Pirraça a criança no quarto
Levanta a mãe que não disfarça o sono
E apoia o esforço do pai,
Que de cansado,
O coloca em seus braços.
Dorme o pai
Enquanto a mãe assentada
Canta coisa alguma
Para um ser que nada entende
Entretanto reconhece o canto
E a voz, com a boca no leite, se rende.

talvez alguém seja assim...

Choro eu desafinado
Afinando o tom com a vida e o que ela me presenteia
Levanto ainda aflito
Mesmo que não haja grito
Não durmo de uma noite, meia.
Passeio pela lembrança do dia
Enquanto a mensagem que leio
Faz vir no meu pensamento “feio”
O desejo de que se eu pudesse, faria.

Pirraço eu no canto da sala
Enquanto apenas a TV é quem fala
Comporto-me ainda como criança birrenta
Que não chora, mas quase não aguenta.
Ouço então a música
Que lembra o cheiro do perfume
O toque que toca não me assume
Mas tem o tom que me traz o sono
Nessa passada noite rústica!

®'©J

Apenas um trecho...


Nossa visão imprecisa
Define-se mais com o amadurecimento
E a reflexão.
Forma-se o que chamamos personalidade,
Opinião própria,
Atitude!
De mil maneiras mostraremos o lugar que pretendemos ocupar:
Pela escolha das nossas roupas,
Da profissão,
Do parceiro (a)
De tudo.
Sobretudo,
No inconsciente eu me comportarei
Conforme a confiança,
A suspeita,
O entusiasmo,
Ou o ceticismo que me caracterizam.

Lya Luft (Perdas e Ganhos)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A Coragem!

Onde está quando se precisa dela?
Eu não tenho. Ou tenho?
Que aparência tem?
Qual teu tamanho?
Que cor se identifica?
Com certeza não deve ser amarela.
Ela é forte?
É bonita?
É destemida ou a coragem tem medo?
Tem prazo de validade?
Tem sabor?
Tem sentimento?
Se tiver é cruel ou extremamente pacífica?
Parece bipolar!
Tem inimigos?
A coragem se arrepende?
Ela entende a gente?
A coragem sabe nadar?
A coragem sabe ler ou é burra demais?
A gente ganha ou conquista ela?
Tem paciência essa tal coragem?
Já pediu arrego alguma vez?
É religiosa?
Acho que essa tal coragem não é desse planeta.
Você tem coragem?
Por quê? Aonde conseguiu?
Empresta-me um pouco?
Não tem ou tem?
Enfim...

Diga que preciso conversar com ela, se você a vir!


sábado, 25 de novembro de 2017

Me Faz Bem

Isso é só um blog, mas como isso me faz bem!
Isso é sobre tudo, entretanto parece dizer uma só coisa.
Manifesta-se até de forma chula, mas para mim nada se perde.
Tem aparência desprezível - às vezes, porque de fato a gente não consegue abraçar ou agradar de tudo.
Muita coisa que está escrita é só uma casca. O conteúdo verdadeiro está dentro. Quem não conhece um abacaxi (se é que isso seja possível) pode até desprezá-lo pela aparência da sua casca, mas o sabor interior faz com que a lembrança da casca desapareça, pois seu interior é muito mais do que a casca apresenta.
Isso levou muito tempo pra chegar até aqui, contudo cada momento teve seu valor e não me desfiz de nenhum deles; nem mesmo os que tentei esquecer.
Pra mim tem sentido terapêutico. Não está aqui para reprimir minha necessidade de terapia, mas exercitar para não atrofiar.
Isso aqui praticamente não tem plateia, mas mesmo assim sempre esteve no palco. Nem sempre foi aplaudido, pois as mãos que o poderiam fazer estão sempre muito ocupadas. Talvez com a pipoca.
Sim, isso aqui não tem nada a oferecer. Também pudera! Só pessoalmente poderia entregar.
Isso aqui lamenta quando chega o fim da leitura de cada post e nenhum sorriso foi possível. Minhas desculpas!
Isso aqui não é o que a vida tem de melhor, mas é uma das melhores coisas que a vida trouxe pra mim.

Então, à você blog dedico meu hoje.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Tudo que Fica

O dia amanhece e para trás há uma noite que se esquece
O trabalho que chama incessantemente para mais um dia de stress.
Ainda ouço  na noite que ficou as batidas do coração que palpitava
Exatamente o que o pensamento desejava
Enquanto todos dormiam o sono não vinha
Só as lembranças faziam companhia:
Correria
Noite vazia
Ouço também como sorria
Até barulhos de tiro se ouvia
Nada demais
Só os manos que fugiam

Eu quis gritar “corram”
Mas o senso de hipocrisia me detinha
Também fugi como se não quisesse ser apanhado
Medo das grades?
Ou declarar que era covarde?

Noite, minha noite!
Que de muita coisa me escondeste
Ouça de novo meu grito
Mostre-me de novo o sorriso
Que na minha eternizo

Foge de mim como se fosse fácil
Noite que não resiste o dia que chega
Volte no mesmo horário que te espero
E estarei lá com as lembranças que quero
Até que amanheça de novo

Com as palavras que desagradam o “povo”!!

rico#

terça-feira, 8 de agosto de 2017

;)

Um dia eu parei para conversar comigo um pouco.
Estava agitado, com tantos compromissos para dar conta que não quis me ouvir e um eu ficou no lugar feito estátua falando, enquanto o outro continuava a mover-se muito rápido fingindo que entendia tudo, apesar de cuidar de tantas coisas ao mesmo tempo.
Um Eu falava e o outro gesticulava que ouvia;
O Eu que falava não se dava conta que o outro nada dizia;
O Eu que mudo ficava tinha melhores palavras que o primeiro falante insistia.
O Eu que calava invejava as palavras do falante que se exibia
O Falante falava demais, mas nunca bastava para explicar o que queria.
Queria muita coisa, mas coisas simples complicavam as muitas vontades que suas palavras diziam.
Disse tanto;
Ocultou tanto;
Gesticulou muitíssimo no espaço só, que os dois discutiam.
O espaço estreitou e empurrou os dois para outra dimensão,
Aonde até hoje predomina a mesma discussão de um eu só,
Enquanto na ausência de palavras do outro, o falante sente a consequência das que sobram e terminam como pó.
...

®i©o
Ü

sábado, 6 de maio de 2017

Nostalgia

Às vezes não me entendo.
Sinceramente não me entendo.
Eu juro que gostaria de ser diferente; gostaria de ser mais forte.
Eu juro que me esforço e sempre estou tentando me convencer que eu posso ou vou conseguir.

Tem dia que parece que estou chegando lá; outros dias me pego lembrando de tanta coisa. É aí que percebo o quanto sou frágil, fraco, simples, medroso, temerário, e por que não dizer "covarde"?

Sim, estou no divã. Estou quase em pânico, por assim dizer. A nostalgia tem batido com muita força e talvez isso explica porque estou sempre no chão; sempre me levantando; sempre pensando que estou livre. Mas a porta, o portão e a rua estão abertos e não consigo sair. O carro na garagem me convida e a chave se encontra na ignição, mas não me movo do lugar. Minha moto, com o guidom voltado para o lado, dá um tom triste ao mirar em direção ao chão; quase me comove e o pior: tenho dois capacetes, tenho cilindradas o suficiente para ir tão longe, tenho o dinheiro, tenho o tempo... inclusive tenho até ideia de onde eu poderia ir. Entretanto, vou com quem?Aqui está a nostalgia; exatamente aqui.

Minha impotência zomba de mim; bate na face e deixa marcas, como sempre, marcas de vontade que tem de despertar-me. Mas quando penso em reagir, percebo que não dá mais; é tudo em vão. Então, o conflito. O conflito traz a lembrança, que traz a saudade, que traz a nostalgia, que traz a saudade, que traz a covardia e tornam minha força como um fio de cabelo amarrado em tudo isso e eu tentando arrastá-los enquanto sigo meus passos - isso quando ando.

O resultado é mais que óbvio: no primeiro passo o fio se arrebenta e tudo vai ficando pra trás. O que eu faço? Pego novamente o fio, amarro de novo e lá vou eu tentando carregar tudo isso. Então se arrebenta novamente e algumas vezes - como agora - estou no chão outra vez. O que vou fazer? Me levantar, como sempre faço.

O que prevejo é o que se passou, pois sempre se repete: eu me levanto, caminho um tempo sem tudo isso amarrado em mim, mas acabo voltando ao mesmo lugar tempos depois e, pego novamente o fio, amarro nas costas e começo arrastar, pois não quero deixar isso pra trás. Contudo, o fio se arrebenta de novo e o processo recomeça.

Por mais que eu tente, acabo voltando ao mesmo lugar, às mesmas lembranças, ao mesmo cheiro, ao mesmo perfume, à mesma música, ... Dio Santo! Voglio meglio per me... 

O perfume ainda é como tinta fresca.

Mas aqui vou eu caminhar mais um pouco. Quem sabe um dia o capacete que sobra será usado?

Certas imagens estão a um fechar de olhos de distância. Então não me peça para abrir os olhos, não agora, por favor!


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Tagarelice!

Não vou deixar a tagarelice roubar minhas palavras.
Não permitirei minha gula trazer pesadelos
Farei menos esforço para entender o mundo

Brincando sério, me afastei do riso
Agora surto com minha sobriedade
E a insanidade para mim ficou no desuso

Me tornei altruísta
E em troca recebi descaso
Sem problemas; minha vida planejei a longo prazo

Falarei o necessário?
Não vou mais ligar pro horário
Que teima em forçar-me a ser tão certinho

Percebo a tagarelice se aproximando
Ao passado e futuro em divagações me levando
Ao perscrutar meus pensamentos estranhos

...