quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Saudades e temores

De tarde quero descansar

Chegar até a praia e ver

Se o vento ainda está forte

E vai ser bom subir nas pedras...

Sei que faço isso prá esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando Tudo embora...

Agora está tão longe vê

A linha do horizonte Me distrai

Dos nossos planos

É que tenho mais saudade

Quando olhávamos juntos

Na mesma direção...

Aonde está você agora? Além de aqui, dentro de mim...

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil sem você

Porque você está comigo

O tempo todo...

E quando vejo o mar

Existe algo que diz: -Que a vida continua

E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui

O que posso fazer

É cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos

Lembra que o plano Era ficarmos bem...

Sei que faço isso Prá esquecer

Eu deixo a onda Me acertar

E o vento vai levandoTudo embora...

Lembro-me do som das gaivotas naquela beira-mar. O barulho das ondas e o vento traziam uma tranquilidade que nem parecia estarmos perto de uma movimentada rua. O tempo passa e agente não se dá conta de que cada momento é uma eternidade para quem sente saudade. Eu até poderia ter levado um belo livro, mas preferi não me ocupar com outra coisa, já que eu estava praticamente completo com o que eu queria. Eu via as pessoas numa correria em suas motos, em seus carros e em suas pressas em dar passos longos para chegarem logo ao destino almejado. Via alguns se banhando à beira-mar como se a vida fosse uma eterna estação de férias. Como vejo contraste onde quer que eu esteja. Num casal que observei vi um deles andando mais rápido mesmo de mãos dadas e, ao passo que adiantava era obrigado a esperar um pouquinho ou então puxar o par que ficara centimetros atras. Vi uma familia com um casal de filhos. O menino parecia mais tranquilo, mas a menina era afoita; acho que hiperativa. Isto não incomodava aos pais já que uma coisa compensava outra.
Vi tanta coisa diferente. Me senti de certa maneira "normal" por ser meio que doce de maracujá, ou seja, mesmo sendo doce é meio azedo. Meio cheio de contrastes. Eu diria paradoxal. Mas um sorriso me chamou atenção quando deu à luz uma lágrima, mesmo que em meio ao som das gaivotas, o barulho das ondas nas pedras, a minha presença; era o desejo de que os contrastes acabassem. Parecia ter fim, mas o tempo deu outra direção em planos e projetos que rolaram à beira-mar. De longe via os hoteis convidativos a esquecer das lamúrias e esconder-me em um dos seus quartos pomposos, limpos e super agradáveis. Mas outro contraste me corroía: Tinha dinheiro, mas não poderia gastar com isso. Então o que sobrou?
A lembrança daquele caminhosinho estreito mar à dentro, onde tudo se passou, e nada mais sobrou a não ser a saudade e a vontade de fazer tudo de novo. Outro contraste porque a luta é interna. Eu ainda ouço o som do cantar daqueles pássaros, ainda sinto o vento soprar, e ainda vejo as ondas se acabando na areia que põe limites na imensidão azul.
A areia, são nada mais que minusculas pedrinhas, mas com o poder de juntas cercarem tamanha força marinha. Parecia que as ondas diziam umas às outras: Agora vou mais longe, romperei esta barreira. Mas se acabavam do mesmo jeito de sempre, vencidas por nada mais que pedrinhas "moídas".
Fiquei a pensar comigo mesmo: será que minhas vontades e desejos serão como essas ondas? que vêm com tanta força e beleza e acabam vencidos por algo que parece tão inofensivo? Depois de se sentirem tão grandes como a imensidão do mar, chegar no seu limite mantendo sua beleza e escultural designer, mas nunca ultrapassar os limites?
Acho que não seria prepotência minha querer que as "areias" que têm me detido, um dia se dêem tambem por vencidas e abram alas para que minhas ondas interiores rompa as barreiras e ununde meus ideais, cobrindo todas as possibilidades de conquista e se delicie na grandeza de um mérito: Nunca se sentir diminuído pelas coisas que parecem insignificantes e jamais zombar dos abstáculos vencidos. Viver intensamente a conquista e não deixar que os desejos se acabem quando alcançados com ou sem esforço.

Rico.......eternament ou sempre 100km/h


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