sábado, 6 de maio de 2017

Nostalgia

Às vezes não me entendo.
Sinceramente não me entendo.
Eu juro que gostaria de ser diferente; gostaria de ser mais forte.
Eu juro que me esforço e sempre estou tentando me convencer que eu posso ou vou conseguir.

Tem dia que parece que estou chegando lá; outros dias me pego lembrando de tanta coisa. É aí que percebo o quanto sou frágil, fraco, simples, medroso, temerário, e por que não dizer "covarde"?

Sim, estou no divã. Estou quase em pânico, por assim dizer. A nostalgia tem batido com muita força e talvez isso explica porque estou sempre no chão; sempre me levantando; sempre pensando que estou livre. Mas a porta, o portão e a rua estão abertos e não consigo sair. O carro na garagem me convida e a chave se encontra na ignição, mas não me movo do lugar. Minha moto, com o guidom voltado para o lado, dá um tom triste ao mirar em direção ao chão; quase me comove e o pior: tenho dois capacetes, tenho cilindradas o suficiente para ir tão longe, tenho o dinheiro, tenho o tempo... inclusive tenho até ideia de onde eu poderia ir. Entretanto, vou com quem?Aqui está a nostalgia; exatamente aqui.

Minha impotência zomba de mim; bate na face e deixa marcas, como sempre, marcas de vontade que tem de despertar-me. Mas quando penso em reagir, percebo que não dá mais; é tudo em vão. Então, o conflito. O conflito traz a lembrança, que traz a saudade, que traz a nostalgia, que traz a saudade, que traz a covardia e tornam minha força como um fio de cabelo amarrado em tudo isso e eu tentando arrastá-los enquanto sigo meus passos - isso quando ando.

O resultado é mais que óbvio: no primeiro passo o fio se arrebenta e tudo vai ficando pra trás. O que eu faço? Pego novamente o fio, amarro de novo e lá vou eu tentando carregar tudo isso. Então se arrebenta novamente e algumas vezes - como agora - estou no chão outra vez. O que vou fazer? Me levantar, como sempre faço.

O que prevejo é o que se passou, pois sempre se repete: eu me levanto, caminho um tempo sem tudo isso amarrado em mim, mas acabo voltando ao mesmo lugar tempos depois e, pego novamente o fio, amarro nas costas e começo arrastar, pois não quero deixar isso pra trás. Contudo, o fio se arrebenta de novo e o processo recomeça.

Por mais que eu tente, acabo voltando ao mesmo lugar, às mesmas lembranças, ao mesmo cheiro, ao mesmo perfume, à mesma música, ... Dio Santo! Voglio meglio per me... 

O perfume ainda é como tinta fresca.

Mas aqui vou eu caminhar mais um pouco. Quem sabe um dia o capacete que sobra será usado?

Certas imagens estão a um fechar de olhos de distância. Então não me peça para abrir os olhos, não agora, por favor!


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