segunda-feira, 26 de março de 2012

Deserto

A imensidão do deserto com suas areias imensuráveis parecem não produzir nem sustentar a sobrevivência. Seu habitat deixa-nos como primeira impressão de que vida ali, não é possível. Pobre de nós outros, que nos deixamos levar palas aparências e julgamos conforme nossa medíocre rotina social.
As areias traduzem a mais fiel companhia que um deserto poderia desejar, pois são sua defesa. Nas finas camadas sobrepostas umas às outras, permanecem juntas até mesmo quando o vento forte as muda de lugar. Algumas delas não se contentam em uma mudança repentina sem se dar o luxo de protegerem umas às outras. Mas é um “alto e baixo” de dunas que migram incessantemente de um lado para o outro transformando o relevo desértico. Engraçado pensar que os grãos de areia separados são minúsculos fragmentos insignificantes, mas quando se juntam são capazes de impor limites no mar, levantam arranha-céus e em pouca quantidade produz um peso inacreditável. Tolos aqueles que desprezam um deserto. Ignorantes aqueles que desconhecem as inimagináveis riquezas submersas nas areias de um deserto. A água, que a Humanidade teme que um dia acabe, poderá brotar e salvar a vida na terra a partir do impensado deserto. E então, o que responder? Simplesmente nada. Deixe que continuem desprezando-o; deixem que a primeira impressão fique. Não sabemos julgar e, mesmo se soubéssemos não teríamos o direito.
Eu vejo as areias como dançarinas de balé que ao som do vento se movem como plumas. Eu as vejo como um grande espetáculo, mesmo estando sozinho na platéia. Eu sinto minha vida se esvaindo e miragens surgindo a todo o momento em minha cabeça e diante dos olhos. Sei que o que preciso para me manter vivo está tão perto, mas não consigo tocar. Sinto que minha sede poderia ser satisfeita, mas não tenho como cavar. Além de tudo não tenho forças para tal. Tento encontrar pegadas que me levem de volta, mas é em vão... O vento move as areias, que por sua vez apagam-nas.O deserto está me ensinando às duras penas como sobreviver sem ter que mendigar um pingo de água a quem quer que seja. Devido aos extremos do calor ao dia e o frio à noite, já desejei uma arei movediça. Queria me entregar, mas não posso! No fundo eu sei que, o que me mantém com esperança, ainda é o deserto.

®ico -- - - æ

sábado, 17 de março de 2012

Upa le lê !



Semelhante à

Os meus desencontros sempre provocam em mim euforia.
As minhas mancadas quase sempre me deixam corado ou mudo.
Mas a minha coragem sempre me põe em perigo.
A minha tenuidade entre uma coisa e outra já se explica por si só.
As minhas palavras estão raras nos últimos tempos.
A sensação de estar em uma montanha russa sempre aparece.
É lenta e demorada a subida,
Mas a descida é sempre muito rápida.
A chegada é brusca e olho pra trás;
Vejo onde passei. Os altos e baixos.
Não é nenhum pouco divertido, não é uma montanha russa;
Mas não consigo sair do parque.
E lá vou eu de novo...

®ico

sexta-feira, 16 de março de 2012

Falta


Estou em falta, mas estive presente.
Sou culpado, mas estou inocente.
Fui do alto à baixo muito rápido,
Apenas no sentido “drama”.
Furtei-me o direito de visualizar as paisagens do caminho
Violentei-me por dentro.
Tapei os ouvidos e já não escutava mais os ruídos.
Eu estava dentro de mim e consumia a mim mesmo
Sobrevivendo, “breve” vivia.
Vivendo, diminuía.
Por dentro chorava, mas por fora sorria.
Isso não é vida, é utopia.
®ico

quinta-feira, 15 de março de 2012

Rumores!

Abrace-me pelo espaço de um instante
E viva comigo a eternidade de um momento.
Esqueça do tempo que se segue
E morra de amores só por um pouco
Ou faça reviver meu ar ofegante
Que enrolado ao teu
Se perdeu de contente.

Faça de um simples rumor
O seu grande amor.
Enfraqueça tua resistência
E fortaleça-te na tua insegurança.
Mantenha-te viva e conforte-me
Com tua boca macia
Que me enlouquece a alma
E minha dor alivia.
®ico

quarta-feira, 14 de março de 2012

O que restou da noite?

O QUE RESTOU DA NOITE

O que restou da noite se nem o sono me fez companhia?
De que me valeu o frio se a frieza já no meu todo invadia?
Sons de tiros e risos nas ruas eram o que se ouvia
E bêbados felizes que tropeçavam em si mesmos
Sem se preocuparem de como em casa chegariam.

O que restou da noite?
Olhos vermelhos que não se fecharam e o mau humor corriqueiro
Restou ainda o mau costume de digitar um número no celular
E em seguida não ter coragem de ligar.
Restou “um dia todo” que sei, vai demorar passar.
Restou ainda a lembrança das incontáveis vezes que mudei o canal da televisão
Sem nada aproveitar das grades disponíveis no livrinho.

O que restou da noite?
O medo da próxima penumbra.
A ultima ligação cancelada e uma atitude louca, inusitada.
O que mais restou não pode ser dito.
Vai soar muito esquisito, se bem que para alguém como eu,
Já não vale mais dizeres, porque meu querer já não me deixa dormir de novo,
E a noite que se aproxima me mata ainda mais um pouco.
®ico